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Artigo: Candidíase no seios durante a amamentação: identifique e cuide da forma certa

Candidíase no seios durante a amamentação: identifique e cuide da forma certa
candidíase mamária

Candidíase no seios durante a amamentação: identifique e cuide da forma certa

A amamentação costuma ser retratada como um momento de pura conexão e tranquilidade, mas a realidade prática envolve desafios físicos consideráveis.

Dessa forma, quando a dor aparece de forma repentina, é fundamental investigar a causa raiz, porque o sofrimento contínuo pode acabar resultando no desmame precoce e indesejado.

Entretanto, vale esclarecer que a candidíase nos seios é uma das infecções mais comuns - e dolorosas - que podem ocorrer na fase de amamentação, e ela se diferencia bastante das fissuras iniciais causadas por uma pega incorreta.

O problema central é que o fungo responsável por essa infecção se alimenta de açúcar e cresce em ambientes úmidos e escuros.

Sendo assim, o sutiã de amamentação, quase sempre umedecido pelo vazamento de leite materno, cria o cantinho ideal para que o fungo se multiplique de maneira descontrolada.

Identificar o problema logo é importante, pois a infecção fúngica tem a capacidade de penetrar profundamente nos ductos lactíferos, transformando o ato de nutrir o bebê em um momento de extrema angústia física.

O que causa a candidíase mamária na fase de lactação

Biologicamente, o fungo Candida albicans já habita naturalmente o corpo humano, presente na pele e nas mucosas sem causar nenhum dano em condições normais.

Contudo, durante o pós-parto, o sistema imunológico da mulher costuma ter uma queda natural devido ao cansaço extremo, à privação de sono e às intensas mudanças hormonais.

Ademais, o uso de antibióticos durante o trabalho de parto, em cesarianas ou para tratar condições como a mastite, acaba eliminando além das bactérias ruins, também as bactérias boas que mantêm o crescimento dos fungos sob controle.

Assim, quando a flora bacteriana entra em desequilíbrio, o fungo encontra espaço livre para crescer além do aceitável pelo organismo.

Aliado a isso, o leite materno é rico em lactose, que é um tipo de açúcar, fornecendo o alimento exato que o micro-organismo precisa para se proliferar rapidamente na região dos mamilos e da aréola.

Portanto, a candidíase nos seios não é um sinal de falta de higiene, mas sim o resultado de vários fatores biológicos e ambientais que ocorrem especificamente na fase do puerpério e favorecem o surgimento do problema.

Sintomas principais nas mães e a característica da dor

Diferente do incômodo de uma fissura comum que dói mais no momento em que o bebê abocanha o peito, a dor da candidíase mamária é descrita pelas mulheres como agulhadas ou fisgadas que irradiam para o interior da mama.

Essa dor costuma se manter intensa durante toda a mamada e, diversas vezes, continua latejando por horas após a criança terminar de sugar.

Visualmente, os mamilos e a aréola podem ter uma aparência anormalmente brilhante, avermelhada ou em tom de rosa choque.

Em alguns casos, a pele da região começa a descamar finamente ou mostra pequenas rachaduras que não cicatrizam de jeito nenhum, mesmo com o uso de pomadas de lanolina ou com a correção da pega do bebê.

Além disso, uma coceira forte na região dos seios e uma sensibilidade tão extrema que até o atrito leve do tecido da roupa se torna insuportável são sinais clássicos de que o fungo tomou conta da área.

A candidíase oral no bebê

A amamentação é um processo de troca constante e, inevitavelmente, o fungo passa da pele da mãe para a boca do recém-nascido.

No bebê, a infecção se mostra através da candidíase oral, conhecida popularmente como sapinho.

Os cuidadores podem notar o aparecimento de placas esbranquiçadas na parte interna das bochechas, no céu da boca, nas gengivas e sobre a língua da criança.

Mas, um detalhe importante é que essas manchas brancas se assemelham a restos de leite coalhado, mas não saem quando se tenta limpar suavemente com uma fralda ou gaze úmida.

Além dos sinais na boca, o bebê infectado pode se mostrar muito irritado durante as mamadas, chorando, soltando o peito repetidas vezes ou até recusando mamar, já que a sucção dói muito para ele também.

Outro sintoma que os pais devem ficar de olho é o aparecimento de assaduras graves na região da fralda.

Isso porque o fungo passa pelo trato digestivo da criança, e costuma causar uma vermelhidão intensa no bumbum e na virilha, que não melhoram com pomadas preventivas contra assaduras comuns.

O contágio simultâneo da candidíase entre mãe e filho

O maior problema no tratamento da candidíase é o ciclo de reinfecção constante que ocorre entre a mulher e a criança.

Isso porque, se apenas a mãe realizar o tratamento antifúngico, o bebê continuará com o fungo na boca e, na próxima mamada, reinfectará os seios maternos.

Da mesma forma, se apenas a candidíase oral da criança for tratada, ela contrairá o fungo novamente ao sugar o mamilo infectado da mãe.

Sendo assim, a regra médica é que ambos devem receber tratamento clínico ao mesmo tempo, independentemente de apenas um deles ter sintomas visíveis no momento do diagnóstico.

Diagnóstico e intervenção médica especializada

Profissionais como obstetras, pediatras e consultoras de amamentação são capacitados para realizar o diagnóstico clínico, que na esmagadora maioria das vezes é feito através da observação dos sintomas relatados, sem a necessidade de exames laboratoriais complexos.

Dessa forma é fundamental que a mulher não mascare a dor com analgésicos sem orientação, pois o atraso no início do tratamento correto ajuda a infecção no avanço para os ductos internos, tornando a eliminação do fungo um processo mais longo e exaustivo.

O tratamento da candidíase nos seios costuma começar com a aplicação de antifúngicos de uso tópico nos mamilos e nas aréolas da mãe após cada mamada.

Princípios ativos como miconazol, nistatina ou clotrimazol são os mais prescritos pelos médicos devido à eficácia e segurança na fase da amamentação.

Contudo, se a infecção atingir um nível mais sério, os médicos costumam associar o tratamento tópico a um antifúngico de via oral, como o fluconazol.

Paralelamente, o bebê recebe medicação líquida ou em gel, geralmente à base de nistatina ou miconazol oral, que deve ser aplicada diretamente sobre as lesões na boca.

Cuidados no ambiente de amamentação

O fungo Candida albicans é bastante resistente e pode sobreviver em superfícies inanimadas por longos períodos.

Portanto, a medicação sozinha não é suficiente se não houver um controle dedicado ao ambiente.

Os pais precisam esterilizar rigorosamente qualquer objeto que entre em contato com a boca do bebê ou com os seios da mãe.

Assim, chupetas, bicos de mamadeira, mordedores, conchas de amamentação e todas as peças laváveis da bomba extratora de leite devem ser fervidas diariamente por cerca de vinte minutos durante todo o período do tratamento.

Ademais, os cuidados com as roupas e os tecidos também exigem atenção extra. As mães devem trocar os absorventes de seios com maior frequência, nunca deixando que fiquem úmidos contra a pele.

A influência da dieta materna no combate à candidíase nos seios

A dieta da mãe tem influência vital no controle da candidíase nos seios. Especialistas recomendam uma redução drástica no consumo de açúcares refinados, doces, carboidratos simples e alimentos ricos em leveduras durante o tratamento.

Isso porque, diminuindo a oferta de açúcar no organismo, o ambiente se torna hostil para a proliferação da Candida albicans, acelerando o processo de cura.

Em contrapartida, aumentar a ingestão de alimentos com propriedades antifúngicas naturais e focar em uma hidratação adequada são atitudes que fortalecem o corpo de dentro para fora.

O consumo de probióticos naturais, sempre com orientação de um nutricionista ou médico, ajuda a repovoar o intestino com bactérias benéficas, restaurando o equilíbrio da flora microbiana e fortalecendo o sistema imunológico contra novos episódios infecciosos.

Como amamentar sentindo tantas dores?

Muitas mulheres ficam em dúvida se devem continuar com a amamentação durante a candidíase mamária.

Para essa pergunta, a orientação médica padrão é que o aleitamento materno deve continuar, pois o leite continua sendo seguro e não causa mal ao bebê.

No entanto, se a dor da sucção pela boquinha do bebê estiver em um nível insuportável, a mulher tem a opção de tirar o leite manualmente ou com o auxílio de uma bomba elétrica.

Oferecer o leite ordenhado em um copinho, colher dosadora ou mamadeira ajuda para que os mamilos descansem e cicatrizem enquanto o bebê continua recebendo o alimento para sua nutrição.

Nesses casos de dor intensa, o suporte emocional é necessário e insubstituível.

Afinal, a pressão para amamentar a qualquer custo, somada ao cansaço e à dor física contínua, pode levar a mulher ao esgotamento psicológico.

Validar a dor da mãe e oferecer soluções acolhedoras é o que realmente faz a diferença para proteger a saúde mental materna.

Como prevenir a candidíase nos seios?

Depois que o tratamento acaba e os sintomas somem, o foco passa a ser manter o fungo longe da rotina da família.

Para isso, a mulher deve focar em manter os seios sempre secos.

Na prática, é dar preferência aos sutiãs de algodão, que deixam a pele respirar, e passar longe de tecidos sintéticos ou peças apertadas que acabam abafando a região e facilitando a vida do fungo.

Outra dica que os especialistas sempre recomendam é o famoso banho de sol nas mamas.

Deixar os seios livres, no ar e sob a luz direta do sol por uns 15 minutos, é um remédio natural para evitar que os micro-organismos se criem.

Enfrentar a candidíase nos seios é exaustivo e exige muita paciência, por isso, prevenir é o ideal.

Mas, se o problema já se faz presente, nenhuma mulher precisa aguentar a dor extrema em silêncio achando que isso faz parte da maternidade.

Cuidar da saúde física e emocional da mãe é o primeiro passo para o bebê ficar bem também.

No mais, agir com rapidez e buscar informação baseada em dados reais é o caminho mais seguro para que a amamentação volte a ser um momento de paz e o pequeno receba toda a nutrição que precisa para crescer saudável.

Fontes e referências para este artigo

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