
Seu bebê nasceu com um dentinho? Saiba o que fazer agora
Historicamente, a presença de dentes no nascimento de bebês esteve envolta em mitos e superstições. Em algumas culturas, foi visto como um mau presságio, enquanto em outras, como um sinal de sorte ou poder. Mas, com o avanço da ciência, essas crenças foram desmistificadas, e hoje entende-se que se trata de uma variação no desenvolvimento normal de qualquer criança.
Dentes natais e neonatais: o que são?
Os dentinhos que já estão presentes na boca do bebê logo ao nascimento são chamados de dentes natais, geralmente aparecem nos incisivos centrais inferiores e podem ter uma estrutura ainda incompleta.
Já aqueles que irrompem nos primeiros 30 dias de vida do recém nascido são chamados de dentes neonatais.
A presença de qualquer um desses dentes é relativamente rara, e embora a causa exata não seja totalmente compreendida, acredita-se que fatores genéticos, ambientais e anomalias possam influenciar. Sendo assim, ainda que não haja uma explicação definitiva, algumas possibilidades estão associadas ao surgimento, destacamos as principais:
- Hereditariedade: há casos em que a presença do dentinho ao nascer ocorre em vários membros da mesma família, indicando uma forte predisposição genética.
- Síndromes e anomalias congênitas: algumas condições, como a Síndrome de Ellis-van Creveld e a Displasia Cleidocraniana, podem estar associadas à presença desses dentes.
- Fatores ambientais: embora menos claros, fatores ambientais como desnutrição materna durante a gestação ou febres muito altas podem ter influência no desenvolvimento precoce dos dentes de um bebê.
Bebê que nasce com um dentinho terá complicações?
A presença de dentes natais ou neonatais precisa de atenção, pois podem, sim, trazer algumas complicações:
Risco de aspiração
Devido à sua mobilidade, há o perigo de o dente se desprender e ser aspirado ou deglutido pelo bebê.
Doença de Riga-Fede
Trata-se de uma úlcera traumática que pode surgir na superfície inferior da língua, causada pelo atrito com o dente. Essa condição pode dificultar a amamentação e levar à perda de peso e desidratação.
Dificuldades na amamentação
Durante a amamentação, o dente pode causar lesões nos mamilos da mãe, tornando o processo doloroso demais e até desencorajando a continuidade do aleitamento materno.
Diagnóstico e avaliação feita pelo odontopediatra
Ao identificar a presença de um dente natal ou neonatal, é fundamental procurar um odontopediatra para uma avaliação detalhada. Esse profissional realizará uma análise da estrutura, posição e mobilidade do dente. Também poderá determinar se o dente faz parte da dentição decídua normal ou supranumerária, além de avaliar a formação radicular.
Dentição decídua normal
São os primeiros dentinhos que nascem nas crianças, geralmente chamados de "dentes de leite". Eles começam a aparecer por volta dos 6 meses de idade e totalizam 20 dentes: 10 na parte superior e 10 na inferior. Esses dentes ajudam na mastigação, fala e também guardam espaço para os dentes permanentes que virão depois.
Dentição decídua supranumerária
Às vezes, algumas crianças podem nascer com dentes extras além dos 20 normais; esses são chamados de "dentes supranumerários". Eles podem aparecer tanto na dentição de leite quanto na permanente e podem ter formas e tamanhos variados. A causa exata desses dentes extras não é totalmente conhecida, mas acredita-se que fatores genéticos possam influenciar.
Formação radicular
É o processo de desenvolvimento da raiz do dente. Após a coroa (a parte visível do dente) se formar, a raiz começa a se desenvolver, fixando o dente no osso da mandíbula ou no maxilar. Uma raiz bem formada é essencial para a estabilidade e funcionalidade do dente, e por isso é tão importante.
Se o bebê nasceu com um dentinho devo remover ou não?
A decisão de manter ou remover o dente dependerá de alguns fatores:
- Estabilidade do dente: dentes natais ou neonatais muito móveis demonstram risco considerável de aspiração e podem necessitar de remoção por questões de segurança.
- Presença de sintomas: se o dente estiver causando úlceras na língua do bebê (doença de Riga-Fede) ou lesões nos mamilos maternos, a remoção pode ser considerada.
- Importância funcional: se o dente fizer parte da dentição normal e não apresentar maiores riscos para a saúde da criança, pode ser mantido com monitoramento regular.
O acompanhamento por um profissional garantirá que quaisquer complicações sejam prevenidas ou tratadas da maneira certa, garantindo o bem-estar do bebê e a tranquilidade da família.

