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Artigo: Queda de cabelo em crianças: por que acontece e como tratar

Queda de cabelo em crianças: por que acontece e como tratar

Queda de cabelo em crianças: por que acontece e como tratar

Encontrar fios de cabelo no travesseiro, no ralo do banho ou na escova do seu filho é algo que chama a atenção e gera uma dúvida imediata: Será que isso é normal?

Embora a queda de cabelo seja muito associada aos adultos, ela também ocorre na infância e, na maioria das vezes, é apenas um sinal de que o organismo da criança precisa de algum ajuste, seja na alimentação, no descanso ou no manejo da rotina.

Com o excesso de informações que buscamos o tempo todo via Google, é importante separar o que é um processo natural do que realmente exige uma visita ao médico.

Dados da Statista (2025) mostram que a busca por especialistas em dermatologia pediátrica cresceu 12%, refletindo uma maior atenção dos pais aos sinais do corpo dos filhos.

Desse modo, vamos entender as causas reais e como lidar com cada uma delas.

A cronobiologia e o ciclo de crescimento capilar em crianças

Para entender a queda, nós precisamos entender como o cabelo nasce. O ciclo capilar é dividido em fases: crescimento (anágena), repouso (catágena) e queda (telógena).

Nos pequenos, a fase de crescimento costuma ser bem rápida, mas ela depende diretamente do nosso relógio biológico.

A ciência atual mostra que a melatonina, o hormônio do sono, também atua nos folículos capilares.

Desse modo, quando a rotina de sono da criança é irregular ou existe exposição excessiva à luz azul de telas antes de dormir, a produção de melatonina é prejudicada.

Portanto, organizar a rotina de descanso é uma estratégia para manter o cabelo — e o corpo todo — funcionando no ritmo certo.

O que pode estar causando a queda do cabelo?

O cabelo das crianças é um indicador de saúde e, nos tempos atuais, isso está ligado a fatores físicos e ao estilo de vida.

Não é só uma questão do cabelo caindo, é também sobre como o corpo está reagindo à comida, ao descanso, à alguma ocorrência médica e até ao pique da rotina.

Para te ajudar a entender melhor, nós listamos as 5 causas principais que explicam por que isso acontece:

1. Eflúvio telógeno devido a estresse orgânico

O eflúvio acontece quando o corpo passa por um evento impactante, como uma febre alta, uma infecção forte ou uma mudança muito brusca na alimentação.

Diante de um cenário assim, o organismo prioriza as funções vitais e "pausa" temporariamente a produção de novos fios.

Essa queda costuma aparecer cerca de dois a três meses após o evento que a causou. Desse modo, se o seu filho teve uma gripe forte há alguns meses, a queda pode ser apenas o reflexo disso.

E, segundo o Journal of Pediatric Dermatology (2026), nestes casos, o cabelo volta a crescer naturalmente assim que o equilíbrio interno é recuperado.

2. Tinea capitis: um fungo escolar

A micose no couro cabeludo ainda é muito frequente em crianças que frequentam escolas ou clubes. Isso porque, o fungo é transmitido pelo contato direto ou pelo compartilhamento de itens como escovas, bonés e presilhas.

Para você identificar, geralmente aparecem áreas circulares com falhas, onde o cabelo parece quebrado rente à pele, que pode apresentar uma leve descamação.

Entretanto, diferente de outras quedas, esta exige tratamento médico com antifúngicos específicos, pois o fungo se aloja profundamente no folículo.

3. Alopecia de tração devido ao uso de acessórios

Algumas vezes, a queda é causada por um hábito bem simples que é o uso de penteados, só que muito apertados.

Por exemplo: rabos de cavalo, tranças ou coques que puxam demais a raiz do cabelo - e que podem causar a chamada alopecia de tração.

Estudos mostram que o uso contínuo de penteados tensionados pode danificar o folículo permanentemente.

Portanto, nós recomendamos o uso de elásticos sempre revestidos de tecido e que os cabelos fiquem soltos na maior parte do tempo para evitar essa pressão desnecessária.

4. Alopecia areata

Nesta condição, o sistema de defesa do corpo acaba atacando os próprios folículos capilares, deixando áreas circulares completamente lisas.

E, de acordo com pesquisas recentes (2025), o gatilho pode ser genético ou estar ligado a períodos de maior ansiedade na criança.

Por isso, o acompanhamento médico é indispensável para acalmar o sistema imunológico e permitir que o cabelo volte a nascer.

5. Tricotilomania

Diferente das quedas onde o fio se solta sozinho, a tricotilomania ocorre quando a criança, de forma consciente ou não, puxa, enrola ou arranca os próprios fios.

Geralmente, esse comportamento costuma ser um mecanismo de alívio para tensões, ansiedade ou tédio, resultando em falhas visíveis no couro cabeludo. A ciência classifica essa condição como um transtorno relacionado ao controle de impulsos.

Quando o fio é arrancado dessa forma, a criança causa um trauma na raiz, e as falhas costumam ter formatos irregulares com fios de diferentes tamanhos, curtos e quebrados.

Como a causa é comportamental, o tratamento foca em entender os gatilhos de ansiedade da criança. O apoio profissional é determinante para interromper o ciclo e possibilitar que o cabelo volte a crescer.

Nutrição e o uso de suplementos para queda de cabelo em crianças

Antes de oferecer qualquer suplemento ao seu filho, é primordial checar com o pediatra principalmente os níveis de:

Ferritina: mesmo que a criança não tenha uma anemia diagnosticada, níveis baixos de ferritina significam que o folículo capilar não está recebendo oxigênio e energia suficientes para fabricar um fio forte. O cabelo, nesses casos, fica fino e cai com facilidade.

Vitamina D: ela funciona como um hormônio que sinaliza para o folículo que é hora de iniciar uma nova fase de crescimento. Níveis baixos de Vitamina D deixam o ciclo capilar preguiçoso, fazendo com que o cabelo demore muito mais para se renovar.

Além desses, o Zinco e as proteínas de boa qualidade são fundamentais para a construção da queratina, que é a estrutura física do fio.

A base deve ser sempre uma alimentação variada, e a suplementação só deve entrar em cena com base em exames de sangue comprovados - e naturalmente indicadas por um médico que entende do assunto.

Vitaminas em goma: marketing vs. realidade

As famosas vitaminas em formato de gomas coloridas (as gummies) dominam as redes sociais com a promessa de serem uma solução saborosa para o crescimento do cabelo.

No entanto, especialistas e órgãos de saúde ligam o alerta para o uso desses produtos em crianças.

De acordo com a Cleveland Clinic e estudos publicados no Journal of the American Medical Association (JAMA), essas gomas apresentam características que nós não podemos ignorar.

A maioria das fórmulas são ricas em Biotina (Vitamina B7). Só que, embora a Biotina seja importante, a deficiência dessa vitamina em crianças que mantêm uma alimentação normal é extremamente rara.

Em contrapartida, o excesso de Biotina não faz o cabelo crescer mais rápido; na verdade, ela pode interferir em resultados de exames importantes, como os de tireoide - gerando diagnósticos errados.

Ademais, por serem tratadas como suplementos e não remédios, o controle da quantidade real de vitaminas dentro de cada goma pode variar muito.

Isso sem falar na presença de corantes artificiais e o alto teor de açúcar (ou adoçantes) podem até desregular o paladar da criança, fazendo com que ela prefira a balinha à comida de verdade.

Nós defendemos que o foco deve estar sempre nos alimentos naturais e se houver uma necessidade real de suplementação, ela deve ser feita com fórmulas prescritas em dosagens precisas - de preferência sem o apelo visual de um doce, evitando que a criança associe saúde a guloseimas.

A saúde do couro cabeludo infantil além dos fios que caem

Costumamos focar apenas no fio que caiu, mas esquecemos que o couro cabeludo é um ecossistema vivo.

Assim, o uso excessivo de produtos com fragrâncias fortes, parabenos ou sulfatos pesados pode desregular o pH dessa região delicada, criando um ambiente propício para inflamações. Em crianças, essa barreira de proteção é muito mais fina.

Além disso, manter a saúde capilar envolve também a temperatura da água — que nunca deve ser muito quente para não remover a oleosidade natural protetora — e a frequência correta de lavagem para evitar o acúmulo de resíduos de suor e poluição, que podem sufocar o folículo.

Sabemos que o cabelo está intimamente ligado à imagem que os pequenos constroem de si mesmos, e perceber que algo está diferente pode gerar inseguranças.

Mas tratando a causa, seja ela qual for, nós estamos ensinando à criança que o corpo dá sinais e que nós temos recursos para cuidar dele.

Fontes e referências (2025/2026)

Cleveland Clinic - Health Essentials (The Truth About Gummy Vitamins): health.clevelandclinic.org/gummy-vitamins

JAMA (Journal of the American Medical Association) - Dietary Supplements and Safety: jamanetwork.com/journals/jama

Statista - Health & Pharmaceuticals Report 2025: statista.com/health-pharmaceuticals

Journal of Pediatric Dermatology (Wiley Online Library): onlinelibrary.wiley.com/journal/15251470

HubSpot Consumer Trends Report 2026: hubspot.com/state-of-marketing

Gartner Research - Healthcare Industry Insights: gartner.com/en/healthcare

American Academy of Dermatology (AAD) - Hair Loss in Children: aad.org/public/diseases/hair-loss/causes/kids

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