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Pós pandemia: a Síndrome da Cabana

Depois de quase 2 anos isolados, finalmente os pequenos poderão retomar algumas de suas atividades. Os psicólogos, porém, alertam para o surgimento da chamada Síndrome da Cabana.

Seja para quem nasceu durante a pandemia ou para quem já tinha uma vida antes dela, é inegável o grande impacto que o período de isolamento trouxe para a vida de todos.

Para as crianças não é diferente. Especialistas em comportamento já falam da necessidade de adaptação e o processo para lidar com a chamada Síndrome da Cabana, efeito de estresse adaptativo desencadeado pelo isolamento social.

O que é a Síndrome da Cabana?

Primeiramente é importante dizer que pais e educadores não precisam se preocupar. A Síndrome da Cabana não é considerada uma condição psicológica ou psiquiátrica.

Na verdade, se trata de um fenômeno natural de estresse adaptativo. Ou seja, é a resposta do corpo – e da mente – à uma imposição de isolamento.

Os primeiros estudos a respeito disso surgiram por volta de 1900, nos Estados Unidos. Nessa época, caçadores americanos passavam o inverno isolados em suas cabanas por conta da hostilidade do clima.

Foi identificada então uma mudança no comportamento. Basicamente é como se essas pessoas se desacostumassem a conviver umas com as outras, já que passavam longos períodos reservados.

Hoje, mais de um século depois, o mundo inteiro enfrenta uma situação semelhante, dessa vez em decorrência de uma crise de saúde. Então, algumas crianças e adolescentes podem apresentar dificuldades para retomar a vida social.

Sintomas da Síndrome da Cabana

É essencial entender que a Síndrome da Cabana não deve ser confundida com depressão e outros quadros de isolamento.

Ela é muito específica e se apresenta como um estresse após uma situação intensa de isolamento e incertezas. Os sintomas são:

  • Angústia ao ter que sair de casa;
  • Inquietação;
  • Perda de apetite;
  • Irritabilidade;
  • Medo e desconfiança das pessoas;
  • Tristeza;
  • Falta de ar, entre outros.

Nas crianças é comum que isso se manifeste ao ter que retomar as aulas, por exemplo. Os pequenos podem entender que somente em casa estão verdadeiramente seguros.

Isso pode causar certa resistência em retomar atividades normais e essenciais para o desenvolvimento. No entanto, os pais devem acompanhar de perto para lidar com o problema e amenizar esse desconforto.

Impactos da pandemia na saúde mental das crianças

Segundo um artigo publicado pelo Hospital Santa Mônica, a pandemia afetou crianças e adolescentes.

Embora esses grupos tenham sido considerados os mais seguros com relação a contração do Coronavírus, eles não saíram imunes com relação aos efeitos psicológicos desencadeados pela pandemia.

Então, mesmo com o afrouxamento das normas de afastamento social e com um ambiente mais seguros, crianças e adolescentes podem encontrar dificuldades na retomada das atividades.

O principal sintoma da Síndrome da Cabana é justamente esse medo de sair de casa e fazer coisas normais do dia a dia mesmo quando não há uma ameaça iminente.

Como identificar o problema?

Naturalmente o primeiro passo é observar como a criança lida com a ideia de sair de casa. Se ela demonstra resistência além do normal, parece desconfortável ou apresenta sinais de insegurança quando está fora de casa, pode ser um caso de Síndrome da Cabana.

A observação dos pais para essa primeira impressão é fundamental. Porém, um especialista em comportamento e psicologia infantil pode atestar o diagnóstico de maneira mais segura.

Sendo assim, é importante agendar uma consulta e levar a criança a um especialista. Esse profissional também poderá indicar a melhor forma de lidar com o problema para reestabelecer a confiança da criança.

Por que se atentar à essa síndrome?

Anteriormente comentamos que a Síndrome da Cabana não é considerada uma doença de cunho psicológico. Então, por que pais e responsáveis devem se preocupar com ela?

A saúde mental é um dos fatores mais importantes para o bem-estar humano. E ela não se limita apenas aos fatores psiquiátricos e aos quadros considerados como enfermidades.

Tratar a Síndrome da Cabana é, na verdade, uma atitude preventiva, que evitará a evolução para quadros mais preocupantes, como ansiedade, fobia social e depressão. Por isso, o quanto antes o problema for identificado mais rápido ele será erradicado.

O psicoterapeuta Leo Fraiman deu dicas ao site Papo de Mãe sobre como promover uma retomada saudável das atividades no pós-pandemia. Segundo ele, a melhor forma de fazer isso é gradualmente.

Portanto, pais e responsáveis devem sim criar um plano em que vão gradativamente sugerindo atividades “normais”, que caíram em desuso na pandemia.

Por exemplo, diminuir o uso de telas, sugerir brincadeiras ao ar livre etc. Tudo isso, aos poucos, para que a criança não sinta uma imposição repentina de novas atividades.

Assim você ajuda o seu filho a recuperar a segurança e a confiança em estar fora de casa e com outras pessoas. Esse é um meio saudável de contornar a Síndrome da Cabana e estimular a socialização – etapa importante na fase infantil e juvenil – e que deve amadurecer ao longo de toda a vida.

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