Sleep Talk: conheça o método que ajuda a tratar traumas durante o sono da criança

O termo “sleep talk” consiste basicamente em uma conversa que os pais têm com as crianças enquanto elas estão dormindo.

Essa conversa tem o objetivo de fixar informações e ajuda a criança a reafirmar seus pontos positivos. É importante lembrar que as falas e atitudes dos pais influenciam os filhos em muitos aspectos durante o seu desenvolvimento. Mas, nesse caso, a técnica é aplicada durante o sono das crianças, em especial aquelas que carregam algum trauma.

No entanto, ela deve ser aplicada sob orientação de profissionais especializados no assunto, para que possam orientar os pais, garantindo a eficácia do método que visa o reforço de comportamentos e mudanças positivas na vida dos pequenos.

Sleep Talk: conheça o método que ajuda a tratar traumas durante o sono da criança

A criança traumatizada requer ainda mais atenção e cuidados. Os pais precisam se mostrar presentes e devem ter uma atenção redobrada para lidar com as dificuldades e ajudar seus pequenos.

O sleep talk é uma estratégia que pode apresentar excelentes resultados. Trata-se de um método de conversa que visa estimular pontos positivos e ajudar na mudança de comportamento e na superação de alguns medos e bloqueios.

Se você nunca ouviu falar sobre isso ou tem alguma dúvida sobre o tema, continue lendo para aprender mais e entender como usar a técnica com o seu filho.

Descubra o que é sleep talk

O termo “sleep talk” pode ser traduzido como “falar dormindo” e consiste em uma conversa que os pais têm com as crianças enquanto elas dormem. É literalmente isso o que você deve fazer: conversar com a criança enquanto ela está dormindo.

Essa conversa, que pode parecer despretensiosa, porém, pode fixar informações e ajudar a criança a reafirmar seus pontos positivos.

Por exemplo, crianças que vivem em lares com discussões e brigas constantes tendem a ter um vocabulário ou atitudes mais agressivas. Cenários como esse podem gerar traumas de diferentes proporções, pois cada indivíduo internaliza as situações vivenciadas de uma forma.

Mas, independentemente do tamanho do trauma, os pais e responsáveis podem usar o sleep talk como uma ferramenta para auxiliar a criança traumatizada a recuperar sua confiança, e reforçar os comportamentos positivos que ela apresenta.

Como fazer sleep talk e ajudar a criança traumatizada?

Primeiramente, saiba que o processo do sleep talk é de longo prazo. Estamos falando de uma metodologia que requer repetição e frequência para surtir efeitos. Ela é dividida em três fases e seu ciclo pode durar mais de 6 meses.

Durante esse período, os pais devem utilizar frases e sugestões bem específicas durante o sono da criança. Assim, ela internaliza essas informações e aos poucos as mudanças no comportamento vão aparecendo.

Em que momento do sono deve ser feito?

Infelizmente existe muito conteúdo irresponsável na internet sobre essa técnica utilizada com crianças traumatizadas. O grande problema é que os vídeos amadores acabam indicando a prática no momento errado do sono: o REM.

Porém, alguns especialistas defendem que o melhor é praticar o sleep talk no momento em que as  frequências alpha e/ou theta são atingidas, não no sono REM.

Ok! E quando é que a criança está nessa fase? Explicaremos isso agora! O nosso sono é composto por algumas etapas, que detalharemos abaixo.

Fases do sono

Primeira fase: É uma fase de transição entre um estado vigilante e a segunda  etapa do sono. Durante essa fase, há atividades cerebrais, mas elas são rápidas e inconstantes. Sendo assim, a criança ainda desperta se for chamada, pois ainda está receptiva a estímulos exteriores. A musculatura e a respiração não estão tão relaxadas e isso é perceptível. Essa fase geralmente dura pouco minutos.

Segunda fase do sono: Ainda é um estado de vigília, mas o despertar não é tão fácil como na etapa anterior. Essa fase se caracteriza pelo ritmo alpha, onde a frequência cerebral é mais ampla e o relaxamento vai se tornando maior. À medida que isso evolui, as ondas thetas substituem a alpha e o relaxamento se intensifica. Se você chamar a criança nessa etapa, ela não atenderá, então é nesse momento, que você deve começar o sleep talk.

Terceira fase do sono: Nessa fase, o corpo já relaxou toda a musculatura, então, os sentidos estão em descanso, com exceção da audição que é mantida superficialmente, pois o cérebro a mantém ativa como uma espécie de “sistema de segurança”. Nesta etapa a presença de ondas delta surge, elas são lentas e antecedem a etapa mais profunda do sono.

Quarta fase : É a etapa onde o sono é mais profundo e onde há a fixação de memórias e aprendizados.  Embora os sonhos possam surgir a partir da segunda fase, é mais comum que apareça aqui, pois é nessa etapa de processamento de informações e emoções que o cérebro trabalha para internalizar os estímulos que recebeu.

Sono REM: Etapa que pode ser chamada de sono no “estágio R”, é a fase em que acontece o “movimento rápido dos olhos”.  A denominação REM na verdade é uma abreviação da sigla inglesa R.E.M – Rapid Eye Movement.

Os recém-nascidos passam cerca de 50% do tempo que dormem em sono REM, mas a medida que as crianças crescem esse período vai reduzindo, até atingirem o mesmo padrão do adulto. Isso ocorre por volta dos 5 ou 6 anos de idade, onde passarão cerca de 20% do tempo que dormem no sono REM – por noite.

Esse ciclo de quatro fases até o sono REM deve se repetir várias vezes durante uma noite, e cada fase pode ter durações distintas de tempo. Ou seja, pode ficar mais ou menos tempo. Contudo, a duração média de um ciclo completo de todas as fases incluindo o sono REM é de 1h30 a 2h00.

Segundo a especialista em neuroeducação e presidente do Sleep Talk Brasil, Raphaela Alencar, aplicar a técnica durante o sono REM pode prejudicar o sono. Se falamos em um longo período, podem surgir até distúrbios do sono por conta disso.

Dicas para aplicar sleep talk com segurança

Considerando isso, a dica é que os pais procurem um especialista para aplicar sleep talk em criança traumatizada. Ainda que a técnica não seja uma exclusividade de psicólogos, contar com a orientação do terapeuta pode ajudar muito.

Frequência:

O indicado é que a conversa aconteça todos os dias. No entanto, não tem problema se vez ou outra ela não ocorrer. Mas, o comprometimento dos pais é parte fundamental para que alcancem os melhores resultados.

Outro ponto fundamental é que os pais conversem com a terapeuta para que o contexto e as condições familiares também sejam amplamente compreendidos e trabalhados. Afinal, tudo o que for dito e reafirmado durante o sleep talk impacta diretamente a criança.

Reforço dos comportamentos positivos

Uma das coisas mais importantes a respeito dessa técnica, em especial quando aplicada em criança traumatizada, é que o foco deve ser reforçar os comportamentos positivos que ela apresenta.

Ou seja, os pais devem evitar a palavra “não” durante a conversa com a criança. Ao invés de dizer “não faça isso”, prefira dizer “fazer de tal forma pode lhe ajudar”.

Entonação e volume da voz:

Outra dúvida comum é com relação a entonação e o volume da voz. Muitos pais costumam cochichar durante o sleep talk. Claro, essa é uma reação natural com receio de despertar a criança.

Mas, a psicóloga e hipnoterapeuta Fabiana Barbosa em entrevista ao site Minha Vida explica que o ideal é apenas baixar o tom de voz, mas não cochichar. Também alerta para o cuidado com a entonação, que deve ser gentil e clara.

Qual é a melhor idade para começar?

Se você pretende aplicar sleep talk, saiba que a metodologia pode ser válida já a partir da gestação. Nesse período que antecede o nascimento, as palavras ajudam a confortar e acalentar o bebê, além de gerar identificação com a voz dos pais. Esse cuidado pode se estender até os 13 anos de idade.

Contraindicações:

Não existem contraindicações associadas a esse método. No entanto, é preciso ter atenção e cuidado com as afirmações que são ditas. Elas tem seu valor e poderão causar mudanças no comportamento do seu filho. Escolha bem suas palavras, elas podem ser escritas e lidas se achar melhor.

Sleep Talk funciona mesmo?

Ainda são poucos os estudos e evidências cientificas a respeito desse método. Porém, muitos países já aplicam a técnica e os relatos das experiências são bastante positivos.

Vale lembrar que esse não é um método curativo para síndromes, depressão e outras doenças de cunho psicológico ou psiquiátrico.

Mas, a técnica pode ser utilizada em paralelo com tratamentos e terapias, potencializando resultados e empoderando a criança para buscar as melhores soluções.

Com relação à criança traumatizada, a metodologia pode atribuir mais segurança para lidar com a situação que a marcou negativamente. Além disso, pode ajudar em outras inseguranças e questões da vida, formando cidadãos mais preparados e felizes.

3 responses to “Sleep Talk: conheça o método que ajuda a tratar traumas durante o sono da criança

  1. Gostaria de obter algumas frases certa , que utilizam essa técnica de “sleep talk” para aplicar em meu filho de 14 anos para se tornar um homem de caráter e de responsabilidade e muito inteligente.

  2. É possível aplicar em uma criança de 3,7 com TEA que ainda não está falando.
    Meu filho faz as terapias do protocolo TEA, não vou substituir e nem parar com elas, apenas pensei se ajudaria na fala.
    Hoje ele faz (fono, TO, neuropsicopedagoga, hidroterapia, ecoterapia, musicalização, psicóloga, nutricionista e pedagoga), todas estas terapias divididas na semana para não sobrecarregar ele, e com acompanhamento dos profissionais. Hoje já vejo uma grande evolução no quadro, ele é do nível de suporte 1, é mais a fala e interação social.

  3. Gostaria de obter alguns contatos de profissionais, na cidade do Rio de Janeiro, que utilizam essa técnica de “sleep talk” para aplicar em minha filha de 11 anos.
    Obrigado.
    Pedro Paulo Pereira.

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