
Volta às aulas sem estresse: reorganize a rotina do seu filho
O primeiro passo para uma volta às aulas sem estresse é abandonar a ideia de que a nossa casa precisa funcionar perfeitamente, porque cada família tem uma dinâmica.
Se o seu filho fica parte do tempo com a babá, a rotina dele é diferente daquela criança que vai para o período integral logo cedo ou que fica na casa da avó à tarde.
Nesse contexto, a rotina deve servir à família, e não o contrário. Assim, para mães que trabalham fora, por exemplo, o foco deve ser a antecipação.
Já para as mães que optam por ficar em casa, o desafio pode ser a transição do tempo integral juntos para a separação que a escola traz.
Em quaisquer desses casos — ou até de outros não citados — o segredo é identificar onde o seu calo aperta e criar pequenas âncoras de organização que façam sentido para a sua realidade específica.
Alinhando a rede de apoio
Se o seu filho conta com uma rede de apoio — seja uma avó, um tio dedicado ou uma babá — eles precisam estar na mesma página que você.
Não adianta você tentar ajustar o horário de dormir se, na casa da avó à tarde, a criança tira uma soneca de três horas ou fica liberada nas telas até tarde.
É bacana ter uma conversa clara com sua rede de apoio pelo menos uma semana antes das aulas começarem e já dar início ao plano de readaptação.
Para a mãe solo, esse alinhamento é ainda mais importante, pois ela precisa confiar que a engrenagem vai girar enquanto ela resolve as outras mil frentes da vida.
Desmame digital e a organização da rotina para todos
Nós falamos muito que a criança precisa largar o tablet antes de dormir, mas a verdade é que as férias costumam deixar a casa toda viciada em telas.
A volta às aulas exige um detox familiar, porque se nós queremos que a criança durma cedo, nós também precisamos diminuir o ritmo.
Uma ideia que foge do óbvio é estabelecer que, a partir de certo horário, as luzes da casa baixam e todos desconectam.
Para a mãe que chega tarde do trabalho, esse momento pode ser o único tempo de qualidade com o filho. Se é o seu caso, foque na hora de relaxar juntos.
Leiam um livro, contem como foi o dia ou apenas fiquem perto. O sono virá como consequência de um ambiente seguro e calmo.
A logística da lancheira
Seja você uma mãe executiva, uma dona de casa ou uma avó cuidadora, a lancheira é um dos pontos de atenção diário. Entendemos o dilema entre o que é saudável e o que é prático. Isso cansa mesmo.
Para aliviar essa carga, a sugestão é investir em um cardápio quinzenal. Tire um domingo para planejar — ou até preparar e congelar — opções de lanches. Isso tira de você a necessidade de decidir algo novo todos os dias.
Para quem trabalha fora, deixar a lancheira pronta na noite anterior não é apenas uma dica, é uma regra de sobrevivência.
O emocional da mãe que trabalha fora e da mãe que fica em casa
A mãe que trabalha fora muitas vezes lida com a culpa de precisar deixar o filho no período integral.
Já a mãe que fica em casa pode sentir um vazio ou uma ansiedade enorme ao ver o filho ganhando autonomia na escola. Para as emoções não se tornarem um problema, é preciso validar esses sentimentos.
Se você é uma mãe solo, essa carga emocional pode ser ainda mais pesada por não ter com quem dividir a angústia de um choro na porta da escola. O nosso conselho é: foque na qualidade do tempo quando vocês estão juntos.
A escola sempre será um parceiro no desenvolvimento do seu filho, não um substituto do seu amor.
Independentemente de qual seja o seu caso, converse com os professores e educadores sobre o contexto da sua casa. Eles são aliados fundamentais e podem dar feedbacks que acalmam o coração.
Pequenos rituais de transição que fazem a diferença
Que tal criar um café da manhã da coragem no primeiro dia de aula? Ou um aperto de mão secreto que só vocês dois conhecem para a hora da despedida? Esses pequenos gestos dão à criança um senso de controle sobre a situação.
Para as avós que cuidam, ter um lanche especial esperando o neto na volta da escola cria uma memória afetiva inesquecível.
Para os pais que só veem os filhos à noite, criar o ritual de fazerem juntos alguma atividade garante que a última memória do dia seja de conexão, e não de cobrança pela rotina.
Organização financeira e de materiais
Pensando na economia doméstica e na praticidade, a volta às aulas também é um momento de ensinar sobre consumo consciente. Por isso, envolva a criança na conferência do que sobrou do ano passado.
Limpar os estojos antigos e apontar os lápis que ainda estão bons pode ser uma atividade lúdica de fim de férias.
Para famílias que contam com o apoio de cuidadores, ensine-os a cuidar do material junto com a criança. Ao longo do tempo, isso gera responsabilidade e evita que nós tenhamos que repor itens perdidos ou estragados no meio do semestre.
Por fim, não busque a perfeição na readaptação da rotina do seu filho nesta volta às aulas, busque o que traz paz para o seu lar.
Seja qual for a sua configuração familiar, o ingrediente principal para esse retorno sempre será a paciência — com os pequenos e, principalmente, com nós mesmas.

