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Por que alunos brasileiros sofrem com ansiedade infantil na escola?

ansiedade infantil na escola

Oi, mamãe! Tudo bem? Que tal falar de um assunto sério? A ansiedade infantil na escola. É isso mesmo! Crianças e adolescentes também sofrem desse problema, e o pior é que os estudantes brasileiros estão entre os mais ansiosos do mundo — o estresse parte de todos os lados: dos próprios alunos, dos professores, dos pais.

Entram em jogo a vontade de obter notas boas, a necessidade de agradar a vontade dos pais e a dificuldade de ter uma boa integração com os colegas. Na verdade, esses são apenas alguns dos motivos que levam cada vez mais crianças a apresentarem quadros de ansiedade.

Afinal, assim como nós, adultos, sofremos pressão por conta das responsabilidades diárias e do trabalho, os pequenos têm que lidar com uma série de expectativas em sua trajetória escolar. No entanto a boa notícia é que dá para minimizar esse problema. Quer saber como? Então, acompanhe a leitura!

O que diz o estudo sobre ansiedade infantil na escola?

A informação de que os estudantes brasileiros têm apresentado níveis preocupantes de ansiedade é do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA, na sigla em inglês) de 2015. Esse é um exame realizado a cada três anos pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que conta hoje com 35 países-membros.

Durante a avaliação, milhares de estudantes de 72 nações respondem a uma série de indicadores, que buscam avaliar o nível educacional do país, principalmente em ciências, matemática e leitura. Na última edição, foram 540 mil jovens participantes — ou seja, estamos diante de dados de respeito aqui, hein?

A grande novidade do PISA de 2015 é que os organizadores dedicaram uma parte das avaliações ao bem-estar e à saúde mental dos estudantes. E, infelizmente, o Brasil não está nada bem nesse sentido, viu? OIha só:

  • 8 em cada 10 alunos brasileiros relatam se sentir muito ansiosos antes de provas escolares;
  • 56% garantem que ficam bastante tensos por conta dos estudos;
  • 21% sofrem de baixa autoestima escolar pois acreditam que os professores os julgam menos inteligentes do que são;
  • 17,5% dos adolescentes participantes afirmam que já sofreram algum tipo de bullying.

Esses números ficaram bem acima da média internacional. Para que você tenha uma ideia, enquanto 80% dos alunos brasileiros disseram ter muita ansiedade frente as provas, a média dos demais países ficou em 55,5%.

Nossa porcentagem nesse quesito foi a segunda maior entre todas as nações participantes, ficando atrás somente da Costa Rica. Chama atenção que a gente tenha um número maior de estudantes ansiosos até mesmo em comparação a locais tradicionalmente muito rígidos na educação, como Hong Kong, em que o percentual ficou em 67,1%.

E tem mais! A qualidade da nossa educação muitas vezes é alvo de críticas, e mesmo assim 56% dos alunos afirmaram que se sentem muito tensos quanto às cobranças. Por outro lado, a Finlândia tem um dos sistemas educacionais mais elogiados do mundo, e por lá, esse percentual não passou dos 20%.

Por que os brasileiros sofrem com ansiedade infantil na escola?

Diante desses números, a gente pode afirmar de cara que o problema da ansiedade infantil na escola está nas salas de aula, certo? Nem tanto! O buraco pode estar bem mais embaixo, viu? O PISA não levanta hipóteses para explicar os resultados obtidos, pois o objetivo do relatório é apenas compilar os dados, e não discuti-los.

No entanto, alguns estudos realizados aqui no Brasil trazem pistas sobre as causas dessa ansiedade toda entre as crianças e adolescentes, como os que listamos abaixo.

Autoconceito negativo

Em 2016, a revista Psicologia Escolar e Educacional publicou um artigo sobre a relação entre autoconceito e ansiedade escolar. Nele, as pesquisadoras mostram que os jovens tendem a enfrentar estresse na vida escolar devido à dificuldade de estabelecer as próprias concepções sobre si mesmos.

Nas palavras das especialistas:

“as crianças tendem a incorporar as ideias que os adultos significativos têm sobre elas, mesmo que não sejam condizentes com o que a criança realmente é” (p. 423).

Parece difícil de entender, mas é bem simples: os pequenos precisam estar cercados por pessoas preparadas para lidar com eles, tanto em casa quanto na escola.

Afinal, esses são os dois ambientes em que a criança tem contato com “adultos significativos” para elas — pais e professores. O que acontece é que nem todas as famílias têm a estrutura necessária para proporcionar a formação de personalidade e de um autoconceito saudável.

Na escola, é a mesma coisa. Sem o desenvolvimento de uma didática mais afetiva ou mesmo do reforço positivo na formação de professores, a construção de um autoconceito negativo nas crianças acaba sendo favorecida.

Ambiente escolar com problemas

Em outra pesquisa publicada na mesma revista em 2002, os pesquisadores já apontavam outro problema que pode levar à ansiedade na vida escolar: as características da própria escola. De acordo com os resultados do estudo, que envolveu crianças de diferentes faixas etárias, gêneros e séries, alguns dos fatores que elevam o estresse dos alunos são:

  • atividades demais na agenda escolar;
  • professores impacientes;
  • falta de diálogo e proximidade entre alunos e professores;
  • tarefas em excesso;
  • competição entre colegas da turma;
  • desorganização nas matérias.

Esses motivadores da ansiedade seriam agravados, ainda de acordo com essa pesquisa, por situações familiares, como o nascimento de irmãos, a mudança de casa e doenças. Ah, o estudo também mostrou que os níveis de estresse escolar tendiam a diminuir conforme a criança avançava de série.

Os autores discutiram esse resultado e chegaram à conclusão de que os pequenos se sentem menos ansiosos na medida em que se integram na escola. Ou seja, a adaptação no início da vida escolar também é uma grande causa de ansiedade.

Outras causas

Além desses dois motivos, as crianças podem se sentir ansiosas devido a:

  • cobranças excessivas da família pelo bom desempenho escolar;
  • metodologias de avaliação injustas;
  • episódios de bullying;
  • falta de uma boa socialização com colegas etc.

Como a ansiedade infantil na escola é identificada?

A ansiedade infantil pode não ser tão fácil de identificar, principalmente se você tem uma criança desafiadora dentro de casa. Afinal, os pequenos ainda não entendem muito bem o que sentem e têm dificuldade em expressar isso para os pais ou professores.

Porém, muita insegurança, comportamento agressivo, queda nas notas e recusa a ir para a escola são sinais de alerta. A criança também pode se tornar excessivamente estudiosa, o que demonstra uma autocobrança maior em relação ao próprio desempenho escolar. Ainda, a ansiedade aparece com alguns sintomas, como:

  • coração acelerado;
  • mãos suando e/ou tremendo;
  • dor de barriga e/ou de cabeça;
  • escapes de xixi;
  • hiperatividade;
  • náuseas;
  • crises de choro;
  • problemas de sono;
  • tensão muscular etc.

Quais são os riscos da ansiedade infantil na escola?

Além de comprometer a qualidade de vida e o bem-estar do pequeno, a ansiedade infantil na escola apresenta outros riscos, como o de desenvolvimento de transtornos. É isso o que acontece quando os sintomas naturais da ansiedade se tornam muito frequentes ou intensos. São exemplos:

  • fobias sociais;
  • transtorno da ansiedade generalizada (TAG);
  • transtorno do pânico, entre outros.

Outras consequências são ter a convivência com colegas afetada, levando em conta a importância da socialização para o desenvolvimento infantil. Sem contar, é claro, em quedas no desempenho escolar ou dificuldades de aprendizagem, o que pode levar a uma bola de neve de tensões e cobranças e deixar a criança ainda mais ansiosa.

Qual é o papel das escolas e dos pais na ansiedade infantil?

Como a gente viu, as causas da ansiedade infantil na escola são mais complexas do que parecem à primeira vista. Tanto o ambiente escolar quanto o familiar desempenham papéis decisivos no bem-estar emocional da criança e, diante disso, são também responsáveis pela melhora no quadro de estresse.

Nas escolas, por exemplo, algumas práticas bem-vindas são:

  • provas bem dosadas e avaliações alternativas, para minimizar a pressão frente aos exames regulares;
  • ambiente escolar de colaboração e gestão humanizada;
  • combate ao bullying entre os alunos;
  • professores preparados em sala de aula;
  • equipes multidisciplinares, incluindo psicólogos.

Para os pais, essas características devem pesar na escolha da escola da criança, já que são fundamentais para que o dia a dia do pequeno seja mais saudável. Além disso, é importante reforçar os vínculos com os professores para ter uma comunicação frequente e acompanhar ativamente a vida escolar dos filhos, mostrando que são uma fonte de apoio.

Como evitar ou lidar com a ansiedade infantil na escola?

Não há fórmula mágica para acabar com a ansiedade infantil na escola, até porque esse problema também envolve uma revisão nos modelos de ensino brasileiros, mas que dá para melhorar esse cenário com algumas ações aí dentro da sua casa, isso dá! Abaixo, veja algumas dicas.

Não menospreze o sentimento da criança

Sua primeira reação quando seu filho diz que está tenso é dizer algo como: “não é nada demais!”? Pois é, a gente pensa que diminuir os medos das crianças ajuda, mas essa nem sempre é uma boa opção, já que o pequeno pode se sentir ainda mais inseguro quanto aos próprios sentimentos.

O ideal é validar essas queixas, mostrando que você entende e respeita a ansiedade da criança e incentivando que ela expresse esses sentimentos.

Preze por um ambiente familiar saudável

Já ouviu falar que, onde moram pais estressados, há filhos estressados também? Sim, as crianças são muito sensíveis ao ambiente, ainda mais quando falamos de sentimentos de pessoas tão importantes para elas. Por isso, vale a pena maneirar na própria ansiedade, evitar conflitos e assegurar um ambiente tranquilo e saudável para os pequenos.

Tenha uma rotina bem estabelecida

Em sua definição, a ansiedade é uma resposta emocional antecipada a situações futuras. Quando elas são imprevisíveis, então, é ainda mais fácil se sentir tenso. Portanto, ter uma rotina bem estabelecida é fundamental para minimizar, também, a ansiedade infantil na escola.

Tenha horários fixos para as principais atividades cotidianas, como as refeições, o momento de ir para a cama e de acordar. Também procure informar a criança sobre eventos antes que eles aconteçam, seja um passeio no parque, seja da troca de turma na escola.

Elabore agendas equilibradas

Uma das causas para a ansiedade infantil na escola que explicamos aqui é justamente o excesso de tarefas e atividades. Quando isso também ocorre em casa, o estresse é dobrado. Portanto, tente elaborar uma agenda equilibrada para a criança.

Por exemplo, nos dias em que a rotina de estudos do pequeno é muito puxada, evite sobrecarregá-lo ainda mais com outros eventos. Sempre reserve o devido tempo para o descanso e as brincadeiras.

Crie um “lugar seguro”

Agora, para lidar diretamente com a ansiedade dos pequenos em relação à escola, que tal apostar em técnicas de relaxamento, como contar até 10 ou criar um “lugar seguro”? É simples: peça para a criança pensar em algum lugar que a deixe tranquila. Oriente que, quando se sentir ansiosa na escola, ela mentalize esse refúgio até se acalmar.

Supere as causas da ansiedade gradativamente

Também vale a pena buscar meios de superar as causas da ansiedade. Por exemplo, se o que deixa a criança mais tensa é uma apresentação para a sala de aula, peça para que ela ensaie o que precisa falar primeiro só para você, depois, para os avós e os amigos mais próximos.

Assim, a tensão de falar em público é superada aos poucos. Ah, não se esqueça de parabenizar a criança a cada passo dado nessa superação, mostrando como ela se saiu bem.

Incentive a prática de atividades físicas

As atividades físicas são excelentes aliadas do controle emocional. Nos esportes, as crianças aprendem a respeitar regras, a lidar com a competição, a superar seus próprios limites etc. Tudo isso pode representar valiosas lições que ajudarão a diminuir o estresse no dia a dia escolar.

Recorra a psicoterapias infantis

Por fim, se a criança ou o adolescente apresentar sintomas muito críticos de ansiedade, não hesite em conversar com o pediatra e buscar orientações sobre psicoterapias. A saúde mental e emocional é assunto sério e merece receber a devida atenção de profissionais.

Chegamos ao fim deste “dossiê” sobre ansiedade infantil na escola. Embora ainda não haja pesquisas conclusivas a respeito das causas desse estresse entre os alunos brasileiros, deu para ver que o assunto é sério e que precisamos ficar de olho no bem-estar dos nossos pequenos, né?

Então, compartilhe o conteúdo nas suas redes sociais. Assim, mais mamães também ficarão por dentro das dicas que a gente trouxe!

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